Modelação e engenharia analítica
Modelação de dados
Medidas que reconciliam ao cêntimo. A diferença entre um relatório em que se confia e um relatório que se confere está quase sempre no modelo, não no visual.
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Falta um milhão e ninguém sabe onde
O relatório apresenta 1.248.000 de vendas. O ERP apresenta 1.249.100. A diferença é pequena — cerca de um por mil — e é exatamente por isso que é perigosa: não chama a atenção, mas destrói a confiança quando alguém a descobre em reunião.
Na esmagadora maioria dos casos, essa diferença tem uma de cinco causas, todas estruturais e todas detetáveis antes da publicação.
Um modelo correto não é o que produz o número certo hoje. É o que impede que o número errado seja possível.
O modelo estrela
Uma tabela de factos ao centro, com os acontecimentos do negócio a uma granularidade declarada. À volta, dimensões que descrevem esses acontecimentos. Relações de um-para-muitos, todas na mesma direção.
- Data (chave)
- Ano, trimestre, mês
- Dia útil, feriado
- Código (chave)
- Família, subfamília
- Marca, fornecedor
- Grão: uma linha por linha de documento
- Quantidade, valor, custo
- Chaves: data, produto, loja, cliente
- Código (chave)
- Província, tipologia
- Data de abertura
- Código (chave)
- Segmento, canal
- Condições comerciais
A frase "uma linha por linha de documento" é a decisão mais importante de todo o modelo. Tudo o resto — relações, medidas, reconciliação — decorre dela.
Porquê estrela e não outra coisa
| Abordagem | Vantagem | Custo |
|---|---|---|
| Tabela única e plana | Simples de construir; familiar a quem vem do Excel | Repete descrições em milhões de linhas, ocupa memória, impede filtros cruzados coerentes |
| Modelo estrela | Filtros previsíveis, compressão eficiente, medidas reutilizáveis entre relatórios | Exige trabalho prévio de preparação das dimensões |
| Floco de neve | Evita redundância nas dimensões; próximo do modelo relacional de origem | Mais saltos de relação, consultas mais lentas, leitura mais difícil para o utilizador |
| Relações muitos-para-muitos | Resolve casos legítimos como orçamentos a granularidade diferente | Ambiguidade de filtro e totais que não somam se usada por conveniência |
Recomendação: estrela por defeito. Floco de neve apenas quando a dimensão é genuinamente enorme; muitos-para-muitos apenas quando a diferença de granularidade é real e documentada.
As cinco causas de um total que não bate
- Chaves órfãs. Linhas de factos cujo código não existe na dimensão vão para a categoria em branco e desaparecem de qualquer visual filtrado por essa dimensão. É a causa mais frequente.
- Granularidade misturada. Valores de cabeçalho de documento — descontos globais, portes — repetidos nas linhas inflacionam qualquer soma.
- Filtro bidirecional. Ativado para resolver um caso pontual, altera silenciosamente o resultado de outras medidas do modelo.
- Arredondamento na linha errada. Arredondar por linha e somar dá resultado diferente de somar e arredondar. Em milhões de linhas, a diferença torna-se visível.
- Critério temporal divergente. Data do documento, data de entrega ou data de lançamento contabilístico produzem três totais legítimos e diferentes.
Regras que aplicamos em todos os modelos
- Granularidade escrita. Uma frase por tabela de factos, na documentação e no comentário da consulta.
- Calendário próprio e contínuo. Marcado como tabela de datas, sem lacunas, com colunas de calendário fiscal quando aplicável.
- Relações unidirecionais. Bidirecional apenas com justificação documentada.
- Medidas explícitas. Nunca arrastar colunas numéricas para os visuais. Cada indicador é uma medida nomeada, com variáveis para legibilidade e para evitar recálculos.
- Colunas calculadas com parcimónia. O que for possível calcular na origem ou no Power Query fica fora do modelo: ocupa menos memória e comprime melhor.
- Reconciliação como teste. Uma página de controlo que compara os totais do modelo com os totais da origem, por mês, e que se verifica antes de cada publicação.
Desempenho é consequência, não afinação
Relatórios lentos raramente se resolvem com ajustes de visual. Resolvem-se a montante: reduzir a cardinalidade das colunas, remover colunas que ninguém usa, tratar datas e horas em campos separados, evitar medidas que percorrem a tabela de factos linha a linha quando existe uma alternativa agregada.
Um modelo bem desenhado costuma ocupar menos de metade da memória do modelo original e responder várias vezes mais depressa — com os mesmos dados e a mesma ferramenta.
Os seus relatórios reconciliam com o ERP?
Auditamos o modelo existente — granularidade, relações, medidas e consumo de memória — e entregamos o plano de correção com as diferenças já identificadas e quantificadas.
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