Análise de dados

Data Analytics

Análise com a causa, não só o número. Saber que a margem caiu seis por cento é informação. Saber porquê, e quanto pesa cada motivo, é análise.

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"Caiu seis por cento." E depois?

A maioria dos relatórios para na constatação. Mostra a variação, colore a seta de vermelho e passa a responsabilidade para a reunião. O que acontece a seguir é previsível: cada participante propõe a explicação mais próxima da sua área e a decisão fica adiada até "haver mais dados".

Os dados já existem. O que falta é o percurso que liga a variação agregada ao facto concreto que a provocou.

Uma análise só termina quando produz uma frase acionável, com um responsável e uma ordem de grandeza.

Os quatro tipos de pergunta

Confundir o tipo de pergunta com o tipo de resposta é a origem de muito investimento mal dirigido. Antes de falar em previsão, convém dominar o diagnóstico.

TipoPerguntaO que exige
DescritivaO que aconteceu? Modelo fiável e indicadores definidos
DiagnósticaPorque aconteceu? Granularidade suficiente e dimensões de análise completas
PreditivaO que tende a acontecer? Histórico longo, consistente e sem ruturas de critério
PrescritivaO que devemos fazer? Restrições de negócio explícitas e custo de cada opção

A maior parte do valor por recuperar nas empresas está na segunda linha, não na terceira. É também a mais barata de alcançar, porque reutiliza o modelo que já existe.

Decompor até à causa

O método é sempre o mesmo: partir a variação agregada em componentes que somem o total, e seguir apenas o ramo com maior contributo.

Margem bruta −6% vs. homólogo

Variação observada no mês

Preço de venda

Contributo: −1 p.p.

Custo de compra

Contributo: −4 p.p.

Mix de produto

Contributo: −1 p.p.

Três referências de um fornecedor, +18% no custo desde março

Representam 62% do desvio total · Ação: renegociar ou ativar fornecedor alternativo

Cada nível responde à pergunta "onde está a maior parte do desvio?". Ramos com contributo residual são abandonados — perseguir todos é a forma mais comum de nunca concluir uma análise.

O percurso, passo a passo

  • Fixar a comparação. Face a que período, a que orçamento, a que unidade comparável. Sem base definida, qualquer conclusão é defensável.
  • Confirmar que o desvio é real. Sazonalidade, número de dias úteis, feriados e alterações de perímetro explicam mais variações do que se supõe.
  • Decompor por dimensão. Produto, cliente, loja, fornecedor, canal — uma de cada vez, medindo o contributo de cada componente para o total.
  • Isolar o ramo dominante. Seguir apenas onde está a maior parte do desvio, até chegar a entidades concretas.
  • Quantificar e propor. Quanto pesa, desde quando, o que se faz, quem o faz.

Quatro armadilhas frequentes

  • Efeito de mix. A margem de cada família pode subir e a margem total descer, se o peso das famílias mudou. Analisar o total sem decompor o mix leva à conclusão oposta à correta.
  • Correlação assumida como causa. Duas séries que sobem juntas partilham frequentemente uma terceira causa — tipicamente a sazonalidade.
  • Base pequena. Uma variação de 300% numa referência que vendeu três unidades não é um sinal; é ruído a ocupar o topo do ranking.
  • Rutura de critério. Uma reclassificação de famílias ou a abertura de uma loja cria um degrau no histórico que se confunde facilmente com uma tendência.

Nenhuma destas armadilhas se resolve com melhor visualização. Resolvem-se com desenho correto da análise — que é onde entra o trabalho de quem a conduz.

Tem uma variação por explicar?

Conduzimos análises de diagnóstico sobre os seus dados, com entrega da causa quantificada e do caminho de reprodução, para a equipa poder repetir o exercício sozinha no mês seguinte.

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