Business Intelligence

Business Intelligence

Da fonte ao indicador, com quem responde por cada número. BI não é uma ferramenta que se instala — é uma cadeia com donos identificados em cada elo.

Leitura de 5 minutos

A reunião que discute o número em vez da decisão

Comercial apresenta vendas de 412 milhões. Controlo de gestão apresenta 398. Ambos exportaram do mesmo ERP. A discussão que se segue consome quarenta minutos e termina sem decisão — apenas com a promessa de "verificar os valores".

Nenhum dos dois está errado. Um inclui devoluções, o outro não; um usa a data do documento, o outro a data de entrega. O problema não está no cálculo: está em não existir uma definição única, escrita, com um responsável associado.

Um indicador sem dono não é um indicador. É uma opinião com aspeto de número.

A cadeia, elo a elo

Business Intelligence é o percurso que um dado faz desde o sistema onde nasce até à decisão que provoca. Cada camada acrescenta valor — e cada camada precisa de alguém que responda por ela.

  1. 1 · Fonte

    ERP, sistema de armazém, folha operacional. É aqui que a qualidade se ganha ou se perde: um código mal registado nunca é recuperado a jusante.

    Dono: gestor do sistema
  2. 2 · Integração

    Extração agendada, histórico preservado e regras de limpeza aplicadas uma única vez, de forma auditável.

    Dono: equipa de dados
  3. 3 · Modelo

    Modelo estrela com granularidade declarada, relações validadas e uma definição por indicador.

    Dono: equipa de dados
  4. 4 · Indicador

    Fórmula documentada, critério de inclusão e exclusão, limiar de ação acordado com quem decide.

    Dono: direção da área
  5. 5 · Consumo

    Painel, subscrição ou alerta, com perfis de acesso e rotina de utilização definida.

    Dono: utilizador de negócio

Quase todos os projetos de BI que falham investem nas camadas 3 e 5 e ignoram a 1 e a 4. O painel fica bonito e ninguém confia nele.

Quem responde por quê

A governação não precisa de comité nem de manual de duzentas páginas. Precisa de respostas claras a cinco perguntas.

PerguntaQuem respondeOnde fica registado
O que conta como venda?Direção comercialDicionário de indicadores
De onde vem este valor?Equipa de dadosDocumentação do modelo
Com que frequência atualiza?Equipa de dadosFicha do relatório
Quem pode ver o quê?Direção da áreaMatriz de acessos
Quem corrige quando está errado?Gestor do sistema de origemRegisto de incidentes

O dicionário de indicadores

É o documento com maior retorno por hora investida em todo um projeto de BI, e o mais frequentemente adiado. Cada indicador certificado leva sete campos:

  • Nome e definição em linguagem de negócio, compreensível sem conhecer o modelo.
  • Regra de cálculo, incluindo o que fica explicitamente de fora.
  • Fonte e tabela de origem, com o campo exato usado.
  • Granularidade mínima a que faz sentido — por documento, por dia, por loja.
  • Periodicidade de atualização e latência aceitável.
  • Dono de negócio, que aprova alterações à definição.
  • Limiar de ação, quando existe: a partir de que valor alguém faz alguma coisa.

Sinais de que falta governação

  • Existem três ficheiros com o mesmo nome e sufixos final, final_v2 e bom.
  • Ninguém sabe dizer de que tabela vem determinado campo sem abrir o relatório.
  • Cada direção tem o seu próprio cálculo do mesmo indicador — e todos estão defensáveis.
  • Quando a atualização falha, ninguém dá por isso até alguém reparar num número estranho.
  • A saída de um colaborador põe relatórios em risco.

Como conduzimos o projeto

Não começamos por construir. Começamos por inventariar o que já existe — normalmente há mais relatórios do que decisões.

Etapa 1

Inventário

Levantamento dos relatórios em uso, quem os consome e que decisão sustentam. Muitos são descontinuados aqui.

Etapa 2

Definições

Construção do dicionário de indicadores com as direções, incluindo os critérios em disputa.

Etapa 3

Fonte única

Modelo certificado que passa a alimentar todos os relatórios da área, com validação contra a origem.

Etapa 4

Rotina

Monitorização, processo de alteração de definições e formação das equipas que consomem.

Os seus relatórios dizem todos o mesmo?

Fazemos o inventário dos relatórios em circulação, identificamos as definições em conflito e propomos a cadeia mínima de governação para a sua estrutura.

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